5 de nov de 2014

A IGREJA E A EXPERIÊNCIA DA MORTE - 02 DE NOVEMBRO.

Província Santa Rita de Cássia
Brasil



        O sentido da vida e da morte constitui uma das grandes questões que, de modo mais ou menos explícito, todo ser humano consciente aborda ao longo de sua vida. Nem todos encaram essa situação do mesmo modo. A maioria quer afastar a ideia olhando para o outro lado. Com frequência a morte se apresenta como resultado de alguma falha evitável ou como consequência inexorável da própria finitude humana.
        A experiência da morte está intimamente ligada à Igreja. Basta olharmos e analisarmos as celebrações, especialmente das exéquias; onde a Igreja sempre está presente com palavras amigas e de conforto, nesta hora tão difícil.
        Assim sendo, a visão cristã sobre a morte deve iluminar e dar sentido à vida. Neste sentido, vejamos as palavras de João Paulo II durante a oração do Angelus em 03 de novembro de 2002:
“O homem de hoje precisa como nunca redescobrir o sentido da vida e da morte na perspectiva da vida eterna. Fora dela, a cultura moderna, que nasceu para exaltar o homem e a sua dignidade, transforma-se paradoxalmente em cultura de morte.”
        Na realidade, a morte é um instante; mas ao mesmo tempo, morrer é um processo gradativo no decorrer de nossa existência terrena.
        No dia 02 novembro, comemoramos a memória de todos os fiéis defuntos, ou seja, o “Dia dos Finados”. O que isso que dizer? Porque e para que rezar pelos defuntos? Estas são indagações que inquietam muitos de nós.
        Primeiramente, devemos recorrer à Sagrada Escritura, em 2 Macabeus 12, 38-46 nós encontramos o texto clássico sobre a oração pelos que já nos precederam. Esta é uma boa oportunidade para lermos, meditarmos, rezarmos e contemplarmos a Palavra de Deus. Busque o texto na Bíblia e leia-o. Com certeza, você compreenderá.
        Em toda Igreja, temos o piedoso e salutar costume de oferecer a Santa Missa como sufrágio pelos que já faleceram. Não existe melhor maneira de entrarmos em comunhão perfeita com nossos irmãos e irmãs falecidos (as) do que através da Eucaristia. Aliás, em cada celebração eucarística, a liturgia da Igreja nos convida a recordar nossos mortos. É o conhecido momento por “aqueles que nos precederam no sinal da fé e que dormem o sono da paz” (Oração Eucarística I). Trata-se de uma antiga tradição que remonta ao período apostólico.
        Em poucas palavras, o sentido cristão-católico da oração em favor dos que já morreram e vivem no Senhor: não se trata de ato mágico como o daquela pessoa que, querendo apressar a misericórdia de Deus, queria mandar celebrar 7 missas de 7º dia, em 7 igrejas diferentes, mas no mesmo horário em que a pessoa falecera, ou seja às 3 horas da madrugada…
        Dificilmente em alguma Igreja no Brasil, haverá missa nesta hora, quanto mais 7. Isto se trata de superstição. A fé nos diz: “Os que morrem no Senhor, vivem no Senhor”. E São Paulo, escrevendo aos Romanos, completa: “O Senhor retribuirá a cada um segundo suas obras” (Rm 2,6). E é por isso que a Igreja reza: “Fazei que contemplem a luz de vossa face”.
        Que o dia de comemoração por todos os fiéis defuntos nos ajude a compreendermos a dimensão cristã da morte e que, como São Francisco de Assis, ao irmos ao seu encontro nós a possamos chamar de “Irmã Morte”, e não a “Velha com a Foice”…[1]

Por Frei Ricardo Alberto Dias, OAR



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[1] Cf. RIZZI, Caetano. Qual o significado da oração pelos mortos? In.: http://paroquiasaojoseararaquara.org.br. Acessado em 05-10-2012.


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