18 de dez de 2014

RESENHA DO RELIGIOSO FREI RICARDO SOBRE A OBRA "VITA CONSECRATA" DE SÃO JOÃO PAULO II.

Província Santa Rita de Cássia
Brasil




COMPARTILHAMOS AQUI UMA RESENHA REDIGIDA PELO RELIGIOSO FREI RICARDO ALBERTO DIAS, OAR, NO QUAL NOS CONVIDA A REFLETIRMOS SOBRE A VIDA CONSAGRADA.

Carlos Wojtyla, nasceu em Wodiwice (Polônia). Eleito papa no dia 16 de outubro de 1978, foi o primeiro pontífice não italiano a 455 anos. Teólogo, doutor em Filosofia, escritor e poeta.
        O fundamento evangélico da vida consagrada, se estabelece durante a insistência de Jesus ao convidar  seus discípulos não só a acolherem o reino de Deus na sua vida, mas também a colocarem a própria existência a serviço dessa causa, deixando tudo e imitando mais de perto a sua forma de vida. Com tal identificação ao ministério de Cristo, a vida consagrada realiza a titulo especial aquela confessio Trintatis, que caracteriza toda a vida cristã, reconhecendo extasiada a beleza sublime de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e testemunhando com alegria a sua amorosa magnanimidade com todo ser humano. Portanto, a vida consagrada é um anúncio daquilo que o Pai, pelo Filho no Espírito Santo, realiza com seu amor, a sua bondade e a sua beleza.
        Todo aquele que foi regenerado em Cristo é chamado a viver, pela força que lhe vem do dom do Espírito, a castidade própria do seu estado de vida, a obediência a Deus e à Igreja, e um razoável desapego dos bens materiais, por que todos são chamados à santidade, que consiste na perfeição da caridade.
        À vida consagrada pertence certamente o mérito de ter contribuído eficazmente para manter viva na Igreja a exigência da fraternidade, como confissão da Trindade. Para as pessoas consagradas torna-se uma exigência interior o colocar tudo em comum, bens materiais e experiências espirituais, talentos e inspirações, como também ideais apostólicos e serviço caritativo.
        O Espírito Santo, que, ao longo dos tempos suscitou numerosas formas de vida consagrada, não cessa de assistir a Igreja, quer alimentando nos Institutos já existentes o esforço de renovação na fidelidade ao carisma original, quer atribuindo novos carismas a homens e mulheres do nosso tempo, para que dêem vida às instituições adequadas aos desafios de hoje. A missão da vida consagrada e a vitalidade dos institutos dependem, sem dúvida, do empenho de fidelidade com que os consagrados respondem à sua vocação.
        À imagem de Jesus, dileto filho, a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo, também aqueles que Deus chama a seguir a Cristo são consagrados e enviados ao mundo para imitar o seu exemplo e continuar a sua missão. Na realidade, a missão, antes de ser caracterizada pelas obras externas, define-se pelo tornar presente o próprio Cristo no mundo, através do testemunho pessoal. Este è o desafio, a tarefa primaria da vida consagrada. Quanto mais se deixa conformar com Cristo, tanto mais o torna presente no mundo, perante para a salvação dos homens. Além disso, a vida consagrada também participa na missão de Cristo através da vida fraterna em comunidade para missão.
        Na historia da Igreja, juntamente com outros cristãos, não faltarão homens e mulheres consagrados a Deus que exerçam, por dom particular do Espírito, um autêntico ministério profético, falando em nome de Deus, a todos, também aos pastores da Igreja. A verdadeira profecia nasce de Deus, da amizade com Ele, da escuta diligente da sua palavra nas diversas circunstâncias da sua palavra. No nosso mundo, onde freqüentemente parecem terem-se perdido os vestígios de Deus, torna-se urgente um vigoroso testemunho profético por ante as pessoas consagradas. A todas as pessoas consagradas é pedido a ousadia do profeta que não tem medo de arriscar a própria vida. Elas têm o dever de oferecer generosamente acolhimento e acompanhamento espiritual a quantos, movidos pela sede de Deus e desejos de viverem as exigências profundas da fé, se lhes dirigem.
        É muito interessante como o autor busca através desta obra  Abordar todo contexto da vida consagrada, mostrando que a mesma, sempre foi profundamente arraigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, e que é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito.
        A presença universal da vida consagrada e o caráter evangélico do seu testemunho provam que ela não é uma realidade isolada e marginal, mas diz respeito a toda Igreja. A vida consagrada manifesta o caráter unitário do mandamento do amor de Deus, na sua conexão indivisível entre o amor de Deus e o amor do próximo.
        O autor deixa bem claro que, estas novas formas de vida consagrada, que se vêem juntar-se às antigas, testemunham a constante atração que a doação total ao Senhor, o ideal da comunidade apostólica, os carismas de fundação continuam exercendo mesmo sobre a geração atual, e são também sinal da complementaridade dos dons do Espírito. Esclarece também a importância dos religiosos. Deixando de lado as avaliações superficiais de funcionalismo. Sabemos que a vida consagrada é importante, precisamente por ser superabundância de gratuidade e de amor, o que se torna ainda mais verdadeiro num mundo que se arrisca a ficar sufocado na vertigem do efêmero (passageiro).
        Outra coisa importante é lembrar que, por ser doação total de mesmo a quem mais ama, a consagração religiosa será também, e sempre perpétua. Dar-se inteiramente a alguém implica e exige que o seja para sempre. O amor que não é para sempre carece de autenticidade. Por isso bem diz o povo: “O amor sempre é eterno,se não for eterno não é amor.” Embora o homem esteja sujeito à caducidade do tempo, ele não nasce para a temporalidade, mas sim para a eternidade. Seus anseios e projetos mais recônditos não são para este mundo, e sim para a eternidade. Além do mais, vida consagrada é dom de Deus, e os dons de Deus são irrevogáveis e sua fidelidade inquebrantável. Essa fidelidade é que cria no vocacionado a capacidade de um sim permanente e irrevogável.
        Finalmente conclui-se que a consagração religiosa tem também caráter de plenitude. Isso equivale a dizer que a vida consagrada de nada carece para tornar o homem plenamente realizado e feliz. Pelo contrário, este é o estado de vida em que a pessoa  mais plenamente realiza as aspirações mais profundas de seu ser, principalmente as que procedem de sua dimensão transcendental. As amizades e comunhões humanas, por mais plenas e fiéis que sejam, são incapazes de atender os anseios mais profundos do coração do homem. Só alguém que é verdadeiramente Deus e ao mesmo tempo homem perfeito, Cristo, pode estabelecer com a criatura humana um convívio realmente plenificado. Assim, o verdadeiro consagrado, em vez de dizer que nada possui, que sacrificou ou perdeu sua liberdade ou, ainda, que levar uma vida privada do amor humano, testemunhará, com a própria vida, ser homem plenamente livre, rico e cheio de amor, por que quem nele vive é Cristo, o homem perfeito.
  
Fonte: JOÃO PAULO II, Vita Consecrata. São Paulo. Paulinas, 1996.
Por Frei Ricardo Alberto Dias, OAR

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