17 de fev de 2016

QUARESMA – TEMPO DE CONVERSÃO, TEMPO DE PENITÊNCIA, TEMPO DE MUDANÇA DE VIDA.

Província Santa Rita de Cássia
Brasil



Quaresma[1], tempo de conversão, tempo de penitência, tempo de mudança de vida. Quaresma, “quarenta dias”, considerados à luz do simbolismo bíblico, tempo salvífico-redentor, no qual voltamos para o interior de nós mesmos no esforço de realizar o verdadeiro encontro com o próprio Deus que habita na intimidade em cada um de nós.

A Quaresma é também um período em que nós, católicos, somos incentivados e orientados pela Igreja a fazermos com mais dedicação, três exercícios espirituais tradicionais: esmola, jejum e oração em preparação à grande Solenidade da Páscoa do Senhor. No entanto, a Quaresma nos convida mais do que a práticas exteriores, a movermos os nossos corações às necessidades de nossos irmãos e irmãs.

Esse tempo propício à conversão e à penitência é baseado no número quarenta por estar este número associado a alguns eventos muito significativos na história sagrada. O povo hebreu, guiado por Moisés, passou quarenta anos em peregrinação no deserto, em direção e de volta à terra prometida. Moisés ficou quarenta dias e quarenta noites no monte Sinai, quando então, recebeu as tábuas da Lei de Deus. Jesus passou quarenta dias e quarenta noites no deserto, como experiência espiritual na sua preparação para o início da sua vida pública, tendo sido tentado pelo diabo no momento em que sentia fome e sede.


ORIGEM DA PÁSCOA

Os hebreus, depois que retornaram à terra prometida, começaram a celebrar a grande festa da Páscoa, que significa “passagem”: da vida de opressão e morte no Egito à vida de liberdade na sua própria terra. Eles escolheram o início do ano no seu calendário lunar, que coincide, também, com o início da primavera no hemisfério norte, o que correspondia ao dia 14 do mês de Nissan. Esse dia corresponde, também, ao chamado equinócio da primavera, quando o dia, que durava menos do que a noite durante o inverno, agora igualava a noite e, a partir de então, cresceria até tornar-se bem maior que a noite, durante o verão. Ora, este simbolismo remetia à consciência de que as trevas foram superadas pela luz, que a vida em liberdade vencera a morte na escravidão do Egito. Nesse dia, ainda, ocorria, sempre, a Lua cheia, já que o calendário hebraico era e continua a ser um calendário lunar, isto é, cada mês é de 28 dias, correspondente aos 28 dias de rotação da Lua em torno da Terra. O dia 14 de Nissan era, portanto, pleno de significado religioso para o povo hebreu, que a partir desse dia comemorava aquela importante festa da Páscoa, num período de Lua cheia e luminosidade noturna bem maior que noutros dias, e com dias cada vez mais longos que as noites.

Os católicos, tendo em vista todo o simbolismo e toda a tradição do povo hebreu na celebração de sua Páscoa, aproveitou esse mesmo simbolismo para aplicá-lo à Páscoa cristã. Afinal, à semelhança da Páscoa judaica, a ressurreição de Jesus marca para nós a Páscoa cristã, isto é, a passagem de Jesus da escravidão da morte para a liberdade da vida gloriosa, tendo a morte sido definitivamente derrotada pela Sua ressurreição.


PARA BEM VIVER A QUARESMA

Quando a Igreja propõe aos seus fiéis um período mais propício a um retiro espiritual, marcado por jejum, oração e esmola, não está tanto querendo colocar ênfase no sofrimento como meio de purificação e perdão de pecados. Está, sim, mais preocupada com o fato de que os cristãos precisam, dada a própria condição humana – marcada pelo sofrimento nas várias dimensões da vida – exercitar a solidariedade com aqueles irmãos mais sofridos em nossa sociedade. Pelo jejum, o cristão se volta para si mesmo, buscando o seu autodomínio; pela oração, ele se volta humildemente para seu Deus; pela esmola, o cristão se volta para o seu semelhante, para o seu próximo, num exercício mais prático de solidariedade e partilha. A Igreja acredita que tais exercícios têm muito a contribuir para o crescimento espiritual dos fiéis. E este crescimento terá como consequências a santificação da própria Igreja e, por seu intermédio, a santificação do mundo.

Os fiéis, para bem viverem esse riquíssimo tempo quaresmal, devem conscientizar-se de que os exercícios propostos valem a pena e não devem ser vividos somente durante a Quaresma, mas, especialmente, nesse período. Os exercícios quaresmais devem fortalecer os cristãos para os desafios da própria vida cristã ao longo de todo o ano, não se limitando apenas ao período da Quaresma. Esse período litúrgico, finalmente, visa a colocar o cristão, uma vez por ano, em sintonia fina com o seu Mestre, Senhor e Salvador, Jesus Cristo, especialmente naquilo em que consistiu sua Missão: a redenção dos pecados pela sua paixão, sua morte e sua gloriosa ressurreição.
Por Frei Ricardo Alberto Dias, OAR


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[1] Cf. ARAGONO, Uilso. QUARESMA – UM TEMPO LITÚRGICO MÓVEL E SEU SIGNIFICADO. In.: http://mondaespero-blog-uilso.blogspot.com.br/2012/03/quaresma-um-tempo-liturgico-movel-e-seu.html. Acessado em 21/02/2014.


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